Carla del Ponte, a insuspeitíssima amiga da OTAN, com múltiplas provas
de fidelidade averbadas no seu curriculum internacional, que nunca escondeu gostar
de aplicar a Bashar al-Assad o tratamento que logrou infligir a Milosevic,
ainda há poucos meses, na sequência duma missão de inspeção aos crimes de
guerra cometidos na Síria ao serviço da ONU, não teve dúvidas em admitir que se
havia suspeitos de usar armas químicas nesse conflito eram os insurgentes e não
o governo. A mesma senhora – agora claramente pressionada para ajustar a sua
visão dos factos à nova orientação das suas chefias – ainda assim mantém boa
parte desse seu parecer (Vide http://www.euronews.com/2013/06/07/the-realities-of-the-syrian-conflict-carla-del-ponte/.)
Quando há testemunhos deste tipo – e existem outros -, quando
ocorrem ataques com armas químicas na altura em que está agendada uma conferências
de paz, quando ao mesmo tempo inspetores das Nações Unidas chegam ao terreno
oficialmente, quando um regime que está em vias de ganhar uma guerra fornece de
bandeja argumentos a um inimigo que há muito reclama ajuda estrangeira
semelhante à que foi concedida para esmagar o estado Líbio de Kadhafi, é óbvio
que se está perante um miserável pretexto para desencadear uma guerra ilegal,
em tudo semelhante à que foi desencadeada no Iraque.
O pior é que uma guerra destas vai ter efeitos devastadores. Para
já na população que hipocritamente a chamada “comunidade internacional” diz
querer proteger. Logo de seguida na região onde proliferam conflitos de toda a
ordem e tensões dificilmente controláveis. Depois a nível internacional: Uma
vez mais se acendem rastilhos que podem atingir proporções dantescas. Esta Europa
debilitada, económica e militarmente, parece desejar confrontar-se com uma
Rússia que há mais de 20 anos insiste em humilhar e desafiar uma China que
ainda julga que é um “tigre de papel” dos tempos de Mao. Esta Europa que não
entende que é usada como testa de ponte pelos EUA na sua patética luta para
manter o seu “status” imperial, e que se recusa a ver que será a principal
vítima dessa política suicida.
O mais estranho é haver partidos socialistas (?), como o caso do
PS Francês, de Hollande, que se apresentam com um furor belicista a fazer
lembrar os tempos napoleónicos, dispostos a avançar para a guerra ignorando a
ordem jurídica internacional, que juram respeitar, e sem se importarem com a
ridícula posição em que colocam o seu país às voltas com dificuldades
crescentes, quase à beira da rotura social (http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=3390099&page=-1.).
Mas em Portugal, ao que parece, o PS de Seguro, também vai na mesma linha
ultrapassando mesmo a ortodoxia direitista nesta matéria (http://www.publico.pt/portugal/noticia/deputados-do-ps-questionam-governo-em-relacao-ao-uso-de-armas-quimicas-na-siria-1604110.).
Estranho espírito internacionalista que por aí vai…
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