quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Estranho espírito internacionaliosta...




Carla del Ponte, a insuspeitíssima amiga da OTAN, com múltiplas provas de fidelidade averbadas no seu curriculum internacional, que nunca escondeu gostar de aplicar a Bashar al-Assad o tratamento que logrou infligir a Milosevic, ainda há poucos meses, na sequência duma missão de inspeção aos crimes de guerra cometidos na Síria ao serviço da ONU, não teve dúvidas em admitir que se havia suspeitos de usar armas químicas nesse conflito eram os insurgentes e não o governo. A mesma senhora – agora claramente pressionada para ajustar a sua visão dos factos à nova orientação das suas chefias – ainda assim mantém boa parte desse seu parecer (Vide http://www.euronews.com/2013/06/07/the-realities-of-the-syrian-conflict-carla-del-ponte/.)


Quando há testemunhos deste tipo – e existem outros -, quando ocorrem ataques com armas químicas na altura em que está agendada uma conferências de paz, quando ao mesmo tempo inspetores das Nações Unidas chegam ao terreno oficialmente, quando um regime que está em vias de ganhar uma guerra fornece de bandeja argumentos a um inimigo que há muito reclama ajuda estrangeira semelhante à que foi concedida para esmagar o estado Líbio de Kadhafi, é óbvio que se está perante um miserável pretexto para desencadear uma guerra ilegal, em tudo semelhante à que foi desencadeada no Iraque.


O pior é que uma guerra destas vai ter efeitos devastadores. Para já na população que hipocritamente a chamada “comunidade internacional” diz querer proteger. Logo de seguida na região onde proliferam conflitos de toda a ordem e tensões dificilmente controláveis. Depois a nível internacional: Uma vez mais se acendem rastilhos que podem atingir proporções dantescas. Esta Europa debilitada, económica e militarmente, parece desejar confrontar-se com uma Rússia que há mais de 20 anos insiste em humilhar e desafiar uma China que ainda julga que é um “tigre de papel” dos tempos de Mao. Esta Europa que não entende que é usada como testa de ponte pelos EUA na sua patética luta para manter o seu “status” imperial, e que se recusa a ver que será a principal vítima dessa política suicida.


O mais estranho é haver partidos socialistas (?), como o caso do PS Francês, de Hollande, que se apresentam com um furor belicista a fazer lembrar os tempos napoleónicos, dispostos a avançar para a guerra ignorando a ordem jurídica internacional, que juram respeitar, e sem se importarem com a ridícula posição em que colocam o seu país às voltas com dificuldades crescentes, quase à beira da rotura social (http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=3390099&page=-1.). Mas em Portugal, ao que parece, o PS de Seguro, também vai na mesma linha ultrapassando mesmo a ortodoxia direitista nesta matéria  (http://www.publico.pt/portugal/noticia/deputados-do-ps-questionam-governo-em-relacao-ao-uso-de-armas-quimicas-na-siria-1604110.).


Estranho espírito internacionalista que por aí vai…

 Daniel D. Dias

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