Há pessoas que não tomam partido por nada porque em tudo ou
em todos encontram defeitos. Esta é uma das mais comodistas – e hipócritas –
formas de não participar em nada, em tergiversar de todos os problemas, e de
acabar por apoiar invasões como as do Iraque ou da Líbia. Dizer que a Síria é
um vespeiro, que Assad não é melhor que os insurgentes pagos e apoiados pelo
Catar, Arábia Saudita, e, claro está, pela CIA, entre outros países subitamente
preocupados com alguns regimes da zona do golfo, que Putin (aliado de Assad) não
é melhor que Obama, é uma forma de
encolher os ombros à perigosa ingerência num país soberano, agressiva e ilegal,
que EUA e seus aliados se preparam para
desencadear.
Estas pessoas esquecem-se que o mundo é muito mais pequeno
do que parece e que algo que agora aparenta ocorrer longe da nossa casa de
repente pode tocar-nos à porta… Que o digam as vítimas dos atentados de Atocha
em 2004: Que tinham eles a ver com o que se passava no Iraque ou no Afeganistão?
Cuidado com as generalizações, as indiferenças, as apreciações descuidadas.
Podem tornar-nos alvos fáceis.
Daniel D. Dias
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