Há 68 anos – tinha eu nascido há menos de um mês - os EUA inauguravam a era das armas de destruição maciça fazendo explodir uma bomba atómica sobre a população civil duma cidade do sul do Japão, Hiroxima. Duma vez só estima-se que morreram 140 mil pessoas mas muitas mais continuariam a morrer nos anos subsequentes, até ao presente, vítimas do envenenamento atómico. Três dias depois uma outra bomba atómica seria lançada pelos americanos sobre a população de Nagasaki, cidade a umas centenas de quilómetros de Hiroxima, fazendo de imediato mais de 80 mil mortos, às quais se seguiriam idênticas sequelas. https://www.youtube.com/watch?v=ZDOZX9GaeO0
Na altura a Alemanha NAZI já aceitara a rendição incondicional ( a 8 de maio) e o Japão há vários meses procurava uma forma “honrosa” de se render – sempre rejeitada pelos EUA - e estava fora de questão que tencionasse prosseguir a guerra que na altura já era totalmente controlada pelos “aliados” – em especial pelos EUA e URSS - que estavam preocupados fundamentalmente em dividir o mundo em zonas de influência.
As bombas atómicas sobre o Japão foram pois uma manifestação de força dos EUA e um sinal para o mundo – na altura os EUA eram a única potência que dispunha dessa arma - em especial para a União Soviética, a grande vencedora do conflito mundial. Foram uma exibição brutal e gratuita de força que constitui até hoje a única aplicação concreta de armas de destruição maciça. O insuspeito general MacArthur, que comandou as tropas americanas no Pacífico afirmou em 1960 que “não havia qualquer necessidade militar para empregar a bomba atómica em 1945”.
Não espantoso observar que o país que inaugurou a nova era de terror nuclear se apresente ao mundo ainda hoje como o campeão da paz e da segurança e como o único merecedor de confiança para lidar com armas de destruição maciça e que, a pretexto delas e duma segurança da qual é uma das principais ameaça, se não mesmo a maior, não tenha parado de produzir e alimentar conflitos pelo mundo inteiro?
É bom que se assinale esta data para ajudar perceber, sobretudo aos mais novos, mas também a muitos “esquecidos”, a natureza do mundo em que vivemos.
Daniel D. Dias
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