sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Da necessidade de empatia



Há pessoas, mesmo nas redes sociais onde somos todos amigos de alguém, que valorizam as qualidades e nobreza de caráter que julgam ter (ou gostam que os outros o façam por eles) mas que ignoram olimpicamente as dos seus parceiros. Nunca reparam na idiossincrasia de terceiros a não ser quando lhe encontram defeitos ou lhe identificam qualidades que também acham que a si lhes ficariam a matar. Nunca se expõem muito. Geralmente abrigam-se em nichos de referências consagrados, acomodam-se no conforto de opiniões seguras, formatadas, o que, de algum modo, constitui um auto elogio das suas virtudes com chancela de garantia. No fundo estão neste mundo e nestas varandas, autocentradas, pouco preocupadas em desenvolver a empatia, qualidade que permite aos seres humanos colocarem-se no lugar dos outros, ou seja, que lhes permite fazer a partilha da sua natureza humana que é o grande alicerce da paz e do progresso.  

Melhorar a autoestima é bom – por vezes indispensável - mas nunca deve ser feito à custa dos defeitos dos outros mesmo quando os defeitos dos outros são duma evidência inquestionável. Mais vale procurar através dos outros e com os outros o autoconhecimento que valoriza a autoestima ou a torna irrelevante. E isso só é viável se cada crítica, cada observação, cada conselho, forem pretextos para aplicar e desenvolver esse potencial empático que cada um dispõe.
 
Daniel D. Dias

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