Há
pessoas, mesmo nas redes sociais onde somos todos amigos de alguém, que valorizam
as qualidades e nobreza de caráter que julgam ter (ou gostam que os outros o
façam por eles) mas que ignoram olimpicamente as dos seus parceiros. Nunca
reparam na idiossincrasia de terceiros a não ser quando lhe encontram defeitos
ou lhe identificam qualidades que também acham que a si lhes ficariam a matar. Nunca
se expõem muito. Geralmente abrigam-se em nichos de referências consagrados, acomodam-se
no conforto de opiniões seguras, formatadas, o que, de algum modo, constitui um
auto elogio das suas virtudes com chancela de garantia. No fundo estão neste
mundo e nestas varandas, autocentradas, pouco preocupadas em desenvolver a
empatia, qualidade que permite aos seres humanos colocarem-se no lugar dos
outros, ou seja, que lhes permite fazer a partilha da sua natureza humana que é
o grande alicerce da paz e do progresso.
Melhorar
a autoestima é bom – por vezes indispensável - mas nunca deve ser feito à custa
dos defeitos dos outros mesmo quando os defeitos dos outros são duma evidência inquestionável.
Mais vale procurar através dos outros e com os outros o autoconhecimento que
valoriza a autoestima ou a torna irrelevante. E isso só é viável se cada
crítica, cada observação, cada conselho, forem pretextos para aplicar e desenvolver
esse potencial empático que cada um dispõe.
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