terça-feira, 12 de março de 2013

Sabotar



Parece uma fatalidade mas o progresso tecnológico nas suas aplicações primordiais nunca trouxe vantagens imediatas para a humanidade. Pelo contrário. Cada grande salto relevante neste domínio sempre representou um retrocesso para vastas camadas da população. Porquê? Porque a primeira tendência sempre foi tirar partido desses avanços para fins egoístas.

Nos primeiros tempos a máquina a vapor levou a miséria aos campos; os caminhos de ferro e o barco a vapor antes de se tornarem fatores de desenvolvimento,  destruíram as economias onde chegavam. Uma das primeiras aplicações “bem sucedida” da cisão atómica foi a construção – e imediata aplicação – da bomba nuclear. A automação que poderia libertar o ser humano do trabalho monótono, alienante, tem servido para gerar desemprego em massa e agravar as diferenças entre norte e sul.  A informática e a internet antes ainda de consolidar a “sociedade da informação” e de ser aplicada no aprofundamento da democracia, foi aplicada com êxito na expansão da especulação financeira, na espionagem e na exploração das debilidades dos povos.

A palavra “sabotar” é paradigmática desta realidade. Deriva do termo francês “sabot” que é o nome duma soca, ou tamanco de madeira, que os camponeses usavam no campo. Foram precisamente estes camponeses transformados em assalariados no dealbar da Revolução Industrial, que, revoltados com o regime de exploração a que eram submetidos nas fábricas, introduziam os seus “sabot” das engrenagens das máquinas para as fazer parar…

É um absurdo que num tempo em que as pessoas podiam a nível mundial viver quase num paraíso,  estejam a destruir o seu habitat e a comprometer não apenas o seu futuro mas até o seu presente. Tudo isso porque uma parte da humanidade – cada vez mais reduzida – persiste na sua política de ganância. Não se liberta do seu egoísmo e não desiste de promover o seu veneno mortal como o demostra a atual crise mundial.

Uma vez mais cabe aos “homens de boa vontade”, em especial à queles que veem primeiro “a trave no seu olho do que o argueiro no olho do parceiro”*, que quebrem essa fatalidade. A humanidade que construiu este prodigioso progresso tem de certeza inteligência suficiente para o usar a seu favor.

Daniel D. Dias

*Referência a Mateus-7:3

 

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