Parece uma fatalidade mas o progresso tecnológico
nas suas aplicações primordiais nunca trouxe vantagens imediatas para a humanidade.
Pelo contrário. Cada grande salto relevante neste domínio sempre representou um
retrocesso para vastas camadas da população. Porquê? Porque a primeira
tendência sempre foi tirar partido desses avanços para fins egoístas.
Nos primeiros tempos a máquina a vapor levou a
miséria aos campos; os caminhos de ferro e o barco a vapor antes de se tornarem
fatores de desenvolvimento, destruíram as
economias onde chegavam. Uma das primeiras aplicações “bem sucedida” da cisão
atómica foi a construção – e imediata aplicação – da bomba nuclear. A automação
que poderia libertar o ser humano do trabalho monótono, alienante, tem servido
para gerar desemprego em massa e agravar as diferenças entre norte e sul. A informática e a internet antes ainda de
consolidar a “sociedade da informação” e de ser aplicada no aprofundamento da
democracia, foi aplicada com êxito na expansão da especulação financeira, na
espionagem e na exploração das debilidades dos povos.
A palavra “sabotar” é paradigmática desta
realidade. Deriva do termo francês “sabot” que é o nome duma soca, ou tamanco
de madeira, que os camponeses usavam no campo. Foram precisamente estes
camponeses transformados em assalariados no dealbar da Revolução Industrial, que,
revoltados com o regime de exploração a que eram submetidos nas fábricas, introduziam
os seus “sabot” das engrenagens das máquinas para as fazer parar…
É um absurdo que num tempo em que as pessoas
podiam a nível mundial viver quase num paraíso, estejam a destruir o seu habitat e a comprometer
não apenas o seu futuro mas até o seu presente. Tudo isso porque uma parte da
humanidade – cada vez mais reduzida – persiste na sua política de ganância. Não
se liberta do seu egoísmo e não desiste de promover o seu veneno mortal como o
demostra a atual crise mundial.
Uma vez mais cabe aos “homens de boa vontade”,
em especial à queles que veem primeiro “a trave no seu olho do que o argueiro
no olho do parceiro”*, que quebrem essa fatalidade. A humanidade que construiu este
prodigioso progresso tem de certeza inteligência suficiente para o usar a seu
favor.
Daniel D. Dias
*Referência a Mateus-7:3
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