Jorge Bergoglio, acaba de ser entronizado como Papa
Francisco I. Deveria ficar animado com a forma como foi acolhido publicamente,
com o seu perfil de pessoa modesta, com aquilo que se diz relativamente à sua
crítica à injustiça social e a sua amizade pelos pobres. Deveria, mas na
realidade não fico.
Não fico porque me habituei a ver os chefes da
igreja católica mais como herdeiros dos imperadores romanos do que de Jesus Cristo.
Depois porque há coisas que, por mais que queira, não consigo evitar pensar.
Reconheço que é subjetivo mas ninguém me tira da cabeça que João Paulo II, o
primeiro papa polaco, foi eleito para ajudar a liquidar a União Soviética – repare-se
que na altura ainda não se sabia se o “socialismo real” era mesmo real ou se era
uma fraude –, e que o seu sucessor, o alemão Joseph Ratzinger, talvez tivesse sido eleito
para relevar esta nova Alemanha, reunificada, que mais parece um 4º Reich. Quem
sabe se a renúncia deste último papa, não tem a ver com algum incómodo que esta
“missão” lhe tenha provocado.
Agora surge este papa que vem duma região do globo onde
os povos parecem estar finalmente a tomar conta dos seus destinos, onde mais experiências
sociais progressistas estão a ser ensaiadas… Pode ser coincidência, posso estar
enganado. Pode ser que este papa seja mais um Angelo Roncalli (João XXIII), e que nos venha a surpreender a
todos pela positiva. Faço votos para que assim seja, para que esteja
redondamente enganado.
Mas como os príncipes da Igreja e em particular os Jesuítas,
sempre estiveram muito próximos poder e muitas vezes o serviram, pelo sim pelo
não, fico de pé atrás. Que me conste o Espírito Santo não joga aos dados…
Daniel D. Dias
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