É cada vez mais evidente a calamidade que assola a Europa.
Não sei se já não foi atingido o ponto de não retorno mas se não foi não
estaremos muito longe dele.
A recente decisão do Eurogrupo de assaltar as contas
bancárias de cidadãos comuns é o último descarado atrevimento desta liderança
europeia que assiste, impávida, ao recrudescimento da extrema direita um pouco
por todo o lado como o demonstra a recente manifestação de antigos SS na
Letónia.
Quanto ao crédito desta elite política que (des)governa a
Europa e afunda Portugal, nada preciso acrescentar. As eleições que vão por aí
ocorrendo, as recentes sondagens, entre muitos outros sinais, evidenciam o
crescente descrédito, não só da chamada “classe política”– que abrange todos
partidos, é bom não esquecer - como das perspectivas de qualquer solução para
os problemas europeus no atual quadro institucional. O espetro da revolução ou
da guerra está cada vez mais presente.
Mas no meio de tudo isto o que mais me enfurece – eu que
procuro a todo o custo manter a calma – é a comunicação que nos servem. É uma comunicação
controlada por manipuladores profissionais que usa as mais avançadas técnicas
das Relações Públicas para atingir os seus fins. A objetividade (jornalística)
é apenas uma simulação. Toda a comunicação é veiculada em doses e alinhamento
que leva as grandes massas a acreditar em ideias feitas contrárias aos seus
interesses. A grande mestria desta comunicação consiste em substituir-se à opinião
das próprias pessoas. É uma espécie de doença autoimune: A capacidade analítica
das pessoas é pervertida de tal forma que ela própria se encarrega de liquidar,
quase à nascença, o mais leve assomo se autonomia crítica.
Como exemplo observe-se a informação sobre esta comissão
liquidatária a que chamam governo:
Aquela que a denuncie ou que a ponha em causa é logo “enquadrada” com doses de contra
informação suficientes para levantar a dúvida e fazer supor que não há
alternativas à situação atual. Num comentário deixa-se que se exprima a indignação;
nos três comentários seguintes procura-se quem semeie o desânimo, a descrença e
a confusão. Tudo em nome da isenção, da objetividade, do contraditório. Como se
fosse equilibrado, justo, dar oportunidades iguais (de defesa) aos ladrões e às
suas vítimas. Como se mentira e verdade fossem iguais em legitimidade. “Este
tipo está para aqui a dizer umas verdades, a dizer que a Terra gira em volta do
Sol. Vamos lá desenterrar um inquisidor para apresentar o contraditório.” E o
povo fica na dúvida: será que gira mesmo? É assim que funciona. Tudo parece bem-intencionado,
objetivo, científico; mas a única coisa realmente científica que tem esta
comunicação é a sua estrutura intencionalmente manipuladora. O dr. Goebels ao pé dos seus colegas atuais não passaria
dum principiante “naïf”.
Habituado desde há muito às agressões diárias lá vou
resistindo. Bufo aqui, praguejo acolá, mas geralmente controlo-me. Às vezes até
quase me fico, pasmado, a apreciar a arte - a lata -, dos profissionais de
comunicação que dão a cara. (Provavelmente os mais eficazes e perversos não o
fazem). Uns são bem falantes, persuasivos, inteligentes. Outros têm carisma, saber.
Detesto-os mas fico a invejar-lhes o descaramento. Tenho por eles a mesma admiração
que nutro pela ousadia e talento dos carteiristas…
Mas o que realmente não aguento – aquilo que me faz “passar”
-, é essa comunicação desonesta, essa “pulp fiction” jornalística, servida na
versão “kitsch”. A bajulagem
rafeira feita a esse novo papa, elevado à categoria de Messias redentor recém
chegado à terra, é o mais recente é absolutamente confrangedor exemplo. Como é
possível proferirem-se tantos disparates e durante tanto tempo, sobre uma
figura que se veste duma forma que faria o Cristo corar de vergonha? Choca-me,
por exemplo, ver uma profissional tão
credenciada, tão ilustre, como a Dra. Fátima Campos Ferreira - senhora que põe
Portugal a discutir o seu futuro e que manda calar a mais destacada “intelligentzia” portuguesa, displicentemente sentada -, a tecer
loas ao carisma deste papa suspeito de colaborar com ditaduras fascistas, num
tom lamechas mais apropriado para quem fala com o avô jarreta que se foi visitar
ao lar. E há muitos mais exemplos. De
gente culta, de pena apurada. Muitos pagos por contribuintes, ateus, como é o
meu caso. Não há pachorra…
Daniel D. Dias
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