Mesmo no estertor e na decadência os tiques dos antigos
impérios coloniais não abandonam a velha Europa. A demonstrá-lo está o recente
sequestro do Presidente Evo Morales cujo avião vindo de Moscovo de regresso à
Bolívia, teve de fazer uma aterragem de emergência em Viena - onde o avião
presidencial foi vistoriado, confirmando não transportar consigo o desertor da
CIA Edward Snowden – foi interditado de sobrevoar o espaço aéreo da
França e de fazer escala técnica em
Lisboa, além de receber proibições idênticas de Espanha e de Itália.
É espantoso que uma Europa que colaborou ativamente com o tráfico secreto
e ilegal de prisioneiros para a prisão de Guantánamo – que continua a funcionar
apesar das promessas do “progressista” Obama e onde têm decorrido greves de
fome prolongadas (“neutralizadas” pela alimentação forçada dos prisioneiros), sem
que uma palavra se tenha ouvido de qualquer governo europeu ou da sua
prestimosa comunicação social -, seja tão expedita a apoiar o “amigo americano”
não se inibindo em quebrar uma rega fundamental do direito internacional, nem
sequer se preocupando com a eventuais sequelas – comerciais, culturais e
outras, que possam decorrer de tal atitude.
A “especialista” em política internacional Teresa de Sousa bem já
tinha avisado que esta zanga entre europeus e americanos por causa da
humilhante e desavergonhada devassa da vida das instituições europeias, não era
para levar a sério, pois o pragmatismo do império prevaleceria (palavras minhas
mas o sentido era este). A veemente indignação do “socialista” Hollande sobre a
espionagem americana não passa pois de “bull-shit” e vai na sequência da desastrosa
política externa de França que num continente apoia a Al-Qaeda (que se ufana de
decapitar padres católicos na Síria), e que noutro a combate ferozmente. É
curioso que o nosso inefável (talvez-quase-ex) ministro Paulo Portas está em
sintonia com a posição “socialista” francesa e quase “socialista” italiana,
proibindo a passagem do avião presidencial de Evo Morales.
Esta elite europeia eleita por povos despolitizados, embalados em
eventos hipnóticos fornecidos em doses
industriais, faz lembrar aquele nobre samurai que, derrotado, estava condenado
pelo “bushido” a cometer suicídio ritual. Uma velha ama, condoída com a
situação do senhor apressou a levar-lhe uns saborosos morangos que sabia o seu
senhor muito apreciar. Mas o senhor, prestes a cometer “seppuku”, recusou-os: “Não
posso aceitar, disse o samurai agradecido. Ultimamente não tenho andado bem dos
intestinos”.
Daniel D. Dias
Sem comentários:
Enviar um comentário
Não são permitidos comentários que contenham, publicidade e divulgação de site(s), conteúdos maliciosos, ou promoção a violência, o racismo, a discriminação sexual, a xenofobia e ainda linguagem ofensiva, caluniosa ou grosseira.