sábado, 13 de julho de 2013

Aparências e essências




No debate do chamado “Estado da Nação” ocorrido ontem na Assembleia da República assistimos a duas situações paradigmáticas:


A primeira protagonizada por uma dama de fino recorte burguês – a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves – que vimos engrossar a sua maviosa voz para fazer parar os protestos que assistentes das bancadas destinadas ao público dirigiam aos parlamentares. O descontrole exibido por esta dama habituada a mostrar os seus atributos em ambiente protegido, pôs em evidência a asténica personalidade da segunda figura do estado, que em caso de catástrofe ou defesa da nossa soberania poderá ser chamada a encabeçar a resistência do nosso povo ou a comandar as nossas forças armadas...


A citação que logo proferiu a propósito deste incidente confirma essa fragilidade. Colou-se a uma figura a todos títulos forte, com a qual não tem a mais remota semelhança, nem intelectual, nem política, nem ética, para acobertar a sua minguada estatura de figura pública – a de Simone Beauvoir. Pelos vistos já não é a primeira vez que se socorre deste expediente, mas desta vez fê-lo tão desastradamente que pôs a descoberto o seu artifício. Utilizou a frase “não podemos deixar que os nossos carrascos nos deem maus costumes” na qual Simone Beauvoir se referia aos ocupantes nazis. Comparou deste modo aquelas dezenas de manifestantes das tribunas da AR, pronta e pacificamente desalojados pela polícia, a nazis…


Saiu-se mal obviamente. Depois disfarçou dizendo que era uma alegoria (?) que não queria ofender ninguém, mas já era tarde. É o que faz imitar as aparências e ignorar as essências. Talvez fosse bom que Assunção Esteves se lembrasse – e refletisse – numa outra frase de Simone Beauvoir : “Não se se nasce mulher: torna-se”…


É caso para dizer: Estamos bem entregues.

 


A segunda foi também protagonizada por uma dama, mas esta de recorte mais popular, senhora de um timbre de voz estridente, que compensa em decibéis o que lhe falta em consistência. Trata-se de Heloísa Apolónio que anunciou a apresentação pelo PEV – Partido Ecologista “Os Verdes”- duma moção de censura ao “governo” na próxima semana.


Pasmo:  É uma segunda oportunidade que o PEV – que já tem o apoio anunciado pelo Bloco de Esquerda nesta iniciativa (e certamente do PCP que é o seu partido suporte) quer dar a este “governo” de coligação? É óbvio que a chamada maioria vai derrubar esta moção de censura (para a qual basta uma maioria simples) e assim evita ser forçada a apresentar a moção de confiança que estava praticamente obrigada a apresentar e, essa sim, tinha grandes condições para fazer cair o “governo”…


Tal como na primeira situação, esta segunda também evidencia uma aparência (de esquerda) que ignora a essência.


É caso para dizer: Com amigos destes nem precisamos de inimigos.  


Daniel D. Dias

Sem comentários:

Enviar um comentário

Não são permitidos comentários que contenham, publicidade e divulgação de site(s), conteúdos maliciosos, ou promoção a violência, o racismo, a discriminação sexual, a xenofobia e ainda linguagem ofensiva, caluniosa ou grosseira.