No debate do chamado “Estado da Nação” ocorrido ontem na
Assembleia da República assistimos a duas situações paradigmáticas:
A primeira protagonizada por uma dama de fino recorte
burguês – a Presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves – que vimos
engrossar a sua maviosa voz para fazer parar os protestos que assistentes das
bancadas destinadas ao público dirigiam aos parlamentares. O descontrole exibido
por esta dama habituada a mostrar os seus atributos em ambiente protegido, pôs
em evidência a asténica personalidade da segunda figura do estado, que em caso
de catástrofe ou defesa da nossa soberania poderá ser chamada a encabeçar a
resistência do nosso povo ou a comandar as nossas forças armadas...
A citação que logo proferiu a propósito deste incidente
confirma essa fragilidade. Colou-se a uma figura a todos títulos forte, com a
qual não tem a mais remota semelhança, nem intelectual, nem política, nem
ética, para acobertar a sua minguada estatura de figura pública – a de Simone
Beauvoir. Pelos vistos já não é a primeira vez que se socorre deste expediente,
mas desta vez fê-lo tão desastradamente que pôs a descoberto o seu artifício. Utilizou
a frase “não podemos deixar que os nossos carrascos nos deem maus costumes” na
qual Simone Beauvoir se referia aos
ocupantes nazis. Comparou deste modo aquelas dezenas de manifestantes das
tribunas da AR, pronta e pacificamente desalojados pela polícia, a nazis…
Saiu-se mal
obviamente. Depois disfarçou dizendo que era uma alegoria (?) que não queria
ofender ninguém, mas já era tarde. É o que faz imitar as aparências e ignorar
as essências. Talvez fosse bom que Assunção Esteves se lembrasse – e refletisse
– numa outra frase de Simone Beauvoir : “Não se se nasce mulher: torna-se”…
É caso para
dizer: Estamos bem entregues.
A segunda foi
também protagonizada por uma dama, mas esta de recorte mais popular, senhora de
um timbre de voz estridente, que compensa em decibéis o que lhe falta em
consistência. Trata-se de Heloísa Apolónio que anunciou a apresentação pelo PEV
– Partido Ecologista “Os Verdes”- duma moção de censura ao “governo” na próxima
semana.
Pasmo: É uma segunda oportunidade que o PEV – que já
tem o apoio anunciado pelo Bloco de Esquerda nesta iniciativa (e certamente do
PCP que é o seu partido suporte) quer dar a este “governo” de coligação? É
óbvio que a chamada maioria vai derrubar esta moção de censura (para a qual
basta uma maioria simples) e assim evita ser forçada a apresentar a moção de
confiança que estava praticamente obrigada a apresentar e, essa sim, tinha
grandes condições para fazer cair o “governo”…
Tal como na
primeira situação, esta segunda também evidencia uma aparência (de esquerda) que
ignora a essência.
É caso para
dizer: Com amigos destes nem precisamos de inimigos.
Daniel D. Dias
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