quinta-feira, 9 de maio de 2013

Dar confianças




Muitos amigos gastam aqui no Facebook o seu notável talento (não há qualquer ironia: surgem aqui peças que são verdadeiras obras primas)  a pôr a ridículo as lamentáveis figuras que ultimamente se instalaram no poder em Portugal e que se comportam como “gauleiters” duma Alemanha que parece aspirar a construir um quarto “reich” com estratégias de novo tipo.


Estou solidário com esses amigos e aprecio o seu esforço que sinceramente agradeço. Todavia não lhes sigo o exemplo.


Não porque não me apeteça fazê-lo também. Essas figuras da governação – e os seus comparsas no poder - são tão patologicamente caricatas, tão pateticamente desprezíveis, que Goya ou Velasquez, seguramente hesitariam entre pôr em evidência a atávica idiotice da monarquia espanhola, inevitavelmente monótona, e retratar antes as minúsculas figuras da nossa governação que ostentam uma variabilidade notável e pouco comum, que vai do olhar inexpressivamente “sampanku” do nosso “premier”, à fácies duma personagem malvada de Hergé de Alvares Santos Pereira, passando pelos tiques da síndrome de Peter Pan ostensivos em Carlos Moedas, ou pelos trejeitos patuscos de altivez do geniozinho Gaspar, que me faz sempre lembrar um antigo “chefe de turma”. Isto sem esquecer o toque de puta andaluza que assume Paulo Portas quando se apresenta mais descontraidamente…


Acho que falar sequer do nome desta gente é dar-lhe, ainda assim, algum crédito. Mesmo o ridículo neles é mal empregado. Só de pensar que algum dos meus amigos criativos ainda se arrisca a conceder a imortalidade a algum destes figurantes através das caricaturas que lhes fazem, me faz arrepiar…


Por isso prefiro concentrar-me e tanto quanto possível aprofundar, no como foi possível chegarmos a esta situação. Acho que vai passando o tempo e nos vamos esquecendo da génese dos nossos problemas e nos vamos habituando a achar tudo “isto” normal, tudo ”isto” inevitável…


Eu ainda não me convenci que Portugal precisasse duma “ajuda externa”, que chamar a “troika” fosse inevitável! Serei ingénuo mas  ainda não encontrei ninguém que me demonstrasse, e muito menos provasse,  que tal “ajuda” era inevitável…


Por isso, embora ache graça, embora também me apeteçam caricaturas, vou continuar a resistir a fazê-las. E até os nomes desses responsáveis pela governação usarei no mínimo. Não quero alimentar maus hábitos nem dar ”confianças”.


Daniel D. Dias

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