segunda-feira, 8 de abril de 2013

Uma alternativa viável




Desde há algum tempo que deixei de postar textos ou ideias sobre cooperação, especialmente no grupo criado para o efeito, o “Mutual Base”. A razão, como diria o poeta, é a de que “outros valores mais altos se alevantam”. Na verdade a tensão política e social tem crescido tanto nos últimos meses que creio pouca gente estar disponível para prestar atenção à problemática – no meu entender cada vez mais crucial e pertinente – da cooperação, da economia solidária, do empreendedorismo de base mutual.

Os problemas da sociedade atual – podemos generalizar e falar a nível global – já não são de natureza técnica, cultural ou material. São agora quase exclusivamente de natureza ética e subjazem na prática duma economia política do século XIX, obsoleta, que se arrasta – e arrasa - penosamente pelo mundo. Hoje a saída (efetiva) desta crise – de qualquer crise – passa pela substituição progressiva e determinada da lógica do lucro, axial nesta economia, por outras lógicas de valoração da atividade económica, mais cívicas e humanistas.   

Esta ideia pode ainda parecer utópica e irrealista a muita gente mas de facto não é. Há inúmeros exemplos no mundo que o comprovam. Países resolveram problemas essenciais do seu desenvolvimento na base da cooperação, e a grande massa da população atual, está, objetiva e subjetivamente, desejosa duma mudança de paradigma. Mesmo os que vivem e beneficiam com o critério do lucro - os adeptos da competição premiada com dinheiro - mostram-se saturados com esse modelo, cada vez mais disfuncional.

É, claro, esta mudança de paradigma implica a criação dum clima político favorável e uma atitude dos cidadãos mais comprometida. É algo que não se constrói de um dia para o outro e que implica muitos compromissos, imaginação e criatividade. Necessita duma efetiva participação democrática. Necessita também duma nova cultura e novos hábitos.

É, pois, por tudo isto, uma luta política a ser travada, que tem a particularidade de poder ser desencadeada em paralelo com outras lutas políticas que decorrem. Os tempos são de mudança (a palavra “crise” etimologicamente tem esse significado) e apontam nessa direção.

Nestes tempos de incerteza, em que parece terem-se esgotado as habituais soluções políticas, a minha sugestão vai no sentido de encorajar as pessoas “de boa vontade” a unirem-se em associações, movimentos ou ligas, que se batam pela cooperação e mutualismo na atual “arena” política. Os que estão saturados da “partidocracia”, os que não vislumbram saídas no atual quadro democrático, deveriam refletir nesta ideia, que, sendo uma alternativa viável, tem a vantagem de não ser “mais um partido” e pode mesmo fazer confluir opiniões e vontades de muitos quadrantes.


Aos que quiserem aprofundar esta ideia proponho que o façam no grupo (do Facebook)  Mutual Base. Fica o convite.

Daniel D. Dias

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