Desde há algum tempo que deixei de postar textos ou ideias
sobre cooperação, especialmente no grupo criado para o efeito, o “Mutual Base”.
A razão, como diria o poeta, é a de que “outros valores mais altos se
alevantam”. Na verdade a tensão política e social tem crescido tanto nos
últimos meses que creio pouca gente estar disponível para prestar atenção à
problemática – no meu entender cada vez mais crucial e pertinente – da
cooperação, da economia solidária, do empreendedorismo de base mutual.
Os problemas da sociedade atual – podemos generalizar e
falar a nível global – já não são de natureza técnica, cultural ou material.
São agora quase exclusivamente de natureza ética e subjazem na prática duma
economia política do século XIX, obsoleta, que se arrasta – e arrasa - penosamente
pelo mundo. Hoje a saída (efetiva) desta crise – de qualquer crise – passa pela
substituição progressiva e determinada da lógica do lucro, axial nesta
economia, por outras lógicas de valoração da atividade económica, mais cívicas
e humanistas.
Esta ideia pode ainda parecer utópica e irrealista a muita
gente mas de facto não é. Há inúmeros exemplos no mundo que o comprovam. Países
resolveram problemas essenciais do seu desenvolvimento na base da cooperação, e
a grande massa da população atual, está, objetiva e subjetivamente, desejosa
duma mudança de paradigma. Mesmo os que vivem e beneficiam com o critério do
lucro - os adeptos da competição premiada com dinheiro - mostram-se saturados
com esse modelo, cada vez mais disfuncional.
É, claro, esta mudança de paradigma implica a criação dum
clima político favorável e uma atitude dos cidadãos mais comprometida. É algo
que não se constrói de um dia para o outro e que implica muitos compromissos,
imaginação e criatividade. Necessita duma efetiva participação democrática.
Necessita também duma nova cultura e novos hábitos.
É, pois, por tudo isto, uma luta política a ser travada, que
tem a particularidade de poder ser desencadeada em paralelo com outras lutas políticas
que decorrem. Os tempos são de mudança (a palavra “crise” etimologicamente tem
esse significado) e apontam nessa direção.
Nestes tempos de incerteza, em que parece terem-se esgotado
as habituais soluções políticas, a minha sugestão vai no sentido de encorajar
as pessoas “de boa vontade” a unirem-se em associações, movimentos ou ligas,
que se batam pela cooperação e mutualismo na atual “arena” política. Os que estão
saturados da “partidocracia”, os que não vislumbram saídas no atual quadro democrático,
deveriam refletir nesta ideia, que, sendo uma alternativa viável, tem a
vantagem de não ser “mais um partido” e pode mesmo fazer confluir opiniões e
vontades de muitos quadrantes.
Aos que quiserem aprofundar esta ideia proponho que o façam
no grupo (do Facebook) Mutual Base. Fica
o convite.
Daniel D. Dias
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