O que fica por dizer, o discurso implícito, é com frequência
mais importante do que aquilo que se diz. Penso que é o caso da patética e
pouco ortodoxa despedida de Relvas.
Relvas era um homem amargurado. A alcateia que logrou
construir com os restos do bando de lobos desavindos, ocupado nos seus covis de
luxo a digerir os saques acumulados por
anos de incursões neste redil português, ousou sacrificá-lo. O improvável macho
alfa que promoveu, afinal não lhe agradeceu o esforço e deixou-o cair por uma
“pentelhice” académica sem qualquer valia.
Acho que o “efeito Sócrates” – a derradeira obra de Relvas,
a prova irrefutável do seu talento político – pode agora ser melhor
compreendida. Relvas, na despedida, quis deixar um presente envenenado à sua
alcateia e uma marca da sua eficácia. Aceitou o sacrifício, com estoicismo, mas
não deixou que os seus créditos de “consiglieri” morressem com a sua
licenciatura.
É assim que funciona a “honra dos padrinhos”: a lealdade ou
a traição é aplicada segundo as conveniências e aplica-se, se tal for necessário,
ao próprio bando. Quem pode confiar neste bando para dirigir este nosso
desnorteado redil?
Daniel D. Dias
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