sábado, 6 de abril de 2013

A marca do "consiglieri"



O que fica por dizer, o discurso implícito, é com frequência mais importante do que aquilo que se diz. Penso que é o caso da patética e pouco ortodoxa despedida de Relvas.

Relvas era um homem amargurado. A alcateia que logrou construir com os restos do bando de lobos desavindos, ocupado nos seus covis de luxo a digerir os saques acumulados  por anos de incursões neste redil português, ousou sacrificá-lo. O improvável macho alfa que promoveu, afinal não lhe agradeceu o esforço e deixou-o cair por uma “pentelhice” académica sem qualquer valia.

Acho que o “efeito Sócrates” – a derradeira obra de Relvas, a prova irrefutável do seu talento político – pode agora ser melhor compreendida. Relvas, na despedida, quis deixar um presente envenenado à sua alcateia e uma marca da sua eficácia. Aceitou o sacrifício, com estoicismo, mas não deixou que os seus créditos de “consiglieri” morressem com a sua licenciatura.

É assim que funciona a “honra dos padrinhos”: a lealdade ou a traição é aplicada segundo as conveniências e aplica-se, se tal for necessário, ao próprio bando. Quem pode confiar neste bando para dirigir este nosso desnorteado redil?

Daniel D. Dias

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