quinta-feira, 21 de maio de 2015

Palermas: Palmiras há muitas!



Afinal a política – USA/OTAN/CE - de apoiar “rebeldes moderados” e de continuar a atacar o que resta dos regimes laicos da região – no caso, o da Síria de Bashar al Assad - , vai dando os seus resultados. Nos últimos tempos o Exército Sírio vai perdendo posições estratégicas e até já sofre ataques na capital Damasco coisa que há muito não acontecia. O proto Prémio Nobel da Paz, Obama, (o tal que antes de o ser já o era) deve exultar com a genialidade evidente da sua geoestratégia. Agora o “estado Islâmico” capturou a cidade de Palmira – património histórico da humanidade, até agora bem preservado pelo ditador oftalmologista laico, Assad – e ponto estratégico e militar crucial na região. Claro, vai certamente haver “danos colaterais”, entre eles a possibilidade de ser destruída uma cidade milenar, única no mundo. Mas para povos que têm com referência cultural maior, cidades como Las Vegas, construídas também elas em desertos para amantes de lupanares exóticos, que importância terá isso? Talvez no final da destruição de Palmira ainda reste algum espaço para construir uma disneylândia “a la mode” do califado e de Erdogan, compatível com as exigências culturais dos colonatos do sr. Netanyahu…

É caso para dizer: vale mais um jhiadista “de confiança” na mão que um Assad laico pelas redondezas.

Palermas: Palmiras há muitas… E “Je souis Palmira”! Não viram já?

Daniel D. Dias


terça-feira, 19 de maio de 2015

Exames e culto da desigualdade



A ideia de que as crianças progridem mais – se tornam mais competitivas - se cedo forem habituados à clivagem dos exames, tal como era feito há cinquenta anos atrás, está a ser introduzida hipócrita e sub-repticiamente, sob o pretexto de combater o “facilitismo” e as famosas passagens administrativas. Na verdade o modelo que está a ser reintroduzido só vem agravar o problema da divisão da sociedade entre escolarizados e não escolarizados, como se isso fosse algo justo, natural e inevitável. Os exames seriam uma forma de introduzir mais justiça no sistema, mas não é verdade. Este modelo, comprovadamente, aumenta o abandono escolar e não resolve o combate às passagens administrativas nem garante que o facilitismo não continue a proliferar.

 É preciso entender que por de trás desta clivagem em fase de ensaio estão todas as outras que justificam a existência “natural” duma sociedade constituída por classes. A ideia (laica e republicana) do igualitarismo humano fica reduzida à sua expressão simbólica e “espiritual”,  tão paradigmaticamente expressa no clássico “somos todos iguais (ou irmãos) em Cristo”…  Em tudo mais, claro está,  somos desiguais – e devemos, pelos vistos, a continuar a sê-lo…

O primeiro preceito – e o mais sagrado – da Declaração Universal dos Direitos do Homem (uma herança da Revolução Francesa) é a de que, “todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Nada mais  indiscutível e verdadeiro se todos os homens dispusessem também - à nascença - das mesmas garantias de acesso ao alimento, à habitação, aos cuidados de saúde, à segurança (familiar e societária) e à educação. Infelizmente sabemos que não é assim e é por isso que o Estado Social – ou o que resta dele - continua tão indispensável pois é o único instrumento social que colmata parte das desigualdades sociais mais gritantes com que a maioria das pessoas nasce.

É bom de ver que uma criança, mal alimentada, que vive num ambiente cultural pobre, que faz parte duma família desestruturada, que não tem condições adequadas para brincar ou para estudar, não está nas mesmas condições do que uma criança que vive num ambiente dito normal. Por outro lado há que dizer que a verdadeira igualdade só pode concretizar-se se for reconhecido que a essência da natureza humana é a singularidade. Cada ser tem as suas necessidades específicas, o seu potencial a realizar e é nisso que consiste a igualdade humana. É por isso que nos desportos se joga por escalões, que há campeonatos para homens e para mulheres, que há olimpíadas para “normais” e para “deficientes”. É por isso que as performances obtidas nos exames podem ser tão enganadoras.

O ensino pode ter escalões, classificações, mas nunca deve dar origem a classes, como acontecia no passado. As passagens de ano podem ser condicionadas, “esticadas”, diferidas, mas nunca consubstanciadas. Se uma criança “está a ficar para trás”- se alguém deu por isso -, que se investiguem as razões e se resolva o problema. Se não chegar um professor ou um assistente para a tarefa, que se recorram a dois. Se o problema não estiver na escola, mas na casa ou na família (se houver casa ou família), que se recorra a assistentes sociais, ou a outros especialistas. Mas que não venham com a desculpa de há falta de recursos. Recursos são o que mais abunda por aí. Não falta gente desocupada, com qualificações, que precisa de emprego. É bom que se tenha já em vista que as perspectivas de emprego no futuro – se houver futuro – com mais ciência ou menos ciência, é o de tomarmos conta uns dos outros...

Aos fóbicos da economia, aos que se preocupam com os custos destas operações, sugiro que pensem nisto: Sempre será melhor gastar dinheiro procurando melhorar a qualidade das pessoas do que gastá-lo em armas e sistemas repressivos para combater organizações criminosas ou delinquentes que nunca pararão de crescer se as coisas continuarem como estão na atualidade.

As crianças precisam de melhorar as suas qualidades cívicas, a sua interação com o mundo real, tal como aprofundar os seus conhecimentos em matemática e português. Fazer testes (exames) – não exclusivos à matemática e ao português - para estimular a aprendizagem podem ser bons instrumentos desde que não se limitem a essas disciplinas e não sejam um disfarce para introduzir um ensino estratificador de classes sociais. Se houver diferença nas crianças, diferença resultante de limitações psicofísicas, os índices ou classificações assinalarão as diferenças, sem necessidade de relevar diferenças de classe. A natureza dos seres vivos é realizar o máximo do seu potencial intrínseco, seja ele de que natureza for. A escola serve especialmente para ajudar a concretizar esse objetivo e não para medir níveis de memória ou habilidades especiais, que, frequentemente disfarçam mediocridades mais do que evidenciam qualidades.

E já agora: porque se vai desinvestindo nas artes – especialmente na música – mas também nas performativas e plásticas? Não é também mais um sinal (negativo) de que um ensino classista, discriminador, um culto da desigualdade, está em crescendo?


Daniel D. Dias

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Lições do Lucas



O Lucas é o meu neto mais novo, tem pouco mais de 2 anos e ainda fala luquês – lubês, na versão do meu outro neto, Vicente - embora eu tenha quase a certeza de que conhece a língua comum muito melhor do que dá a entender. Ele lá terá as suas razões para se expressar naquela língua muito económica em léxico mas muito ampla em semântica e ultraflexível  em sintaxe. Por exemplo: uma palavra em luquês pode ter várias significações dependendo do contexto que, como é frequente nesta fase da vida, varia num ápice dum momento para o outro. Não é uma enorme vantagem?

O Lucas é obviamente “o bebé mais bonito do mundo” – como são, aliás, todos os bebés, especialmente os mais novos -  embora tenha acanhamento em reconhecê-lo. Quando às vezes lhe faço a pergunta - só para testar a sua auto estima -, ele desvia a atenção para outro tema ou então, provocatoriamente, indica o nome de outro bebé.

O Lucas pratica luquices que são coisas que ele inventa normalmente para se divertir, aprender ou então para experimentar qualquer coisa nova.  Por vezes essas luquices servem também para passar o tempo, quando já está cansado ou quando está prestes a aborrecer-se.

Algumas dessas luquices são verdadeiras lições para mim. Reparem nesta.

Um dia destes o Lucas experimentou deitar duas bananas, boas e intactas, no caixote do lixo da reciclagem. Não fez aquilo às escondidas. Fê-lo bem à minha frente; percebia-se que se tratava duma experiência. Claro, fui logo atrás, sem alardes nem ameaças, retirar as bananas do caixote, sempre avisando que aquilo não se devia fazer: o lixo é para coisas que não prestam e as bananas estavam boas.
Lucas prestou atenção a tudo e não pareceu em nada intimidado. Uns momentos depois aproximou-se de mim, que estava sentado ocupado com outra coisa, e puxou-me delicadamente a mão. Colocou-me a palma virada para cima, tudo com imensa delicadeza, e fez o gesto de me dar uma palmadinha. Uma espécie de simulacro de castigo.  Depois, virado para mim, de indicador bem esticado pedagogicamente a abanar, admoestou-me com um veemente “Não, não!” Traduzido do luquês, tudo aquilo queria dizer: “Não se podem deitar bananas no lixo porque é mal feito e podes ser castigado por isso. Não voltes a fazer”.

Naquele momento, de repente, apercebi-me desta interessante forma que as crianças utilizam – quando podem! – para aprender regras de conduta. Um castigo – mesmo pequeno - é algo que lhes custa aceitar. Mas desde muito pequenas elas têm a noção de que algo que seja errado deve ser corrigido, o que pode implicar um receado castigo. Que fazer então? Transformar a necessária correção num jogo – numa espécie de faz de conta – com a colaboração dum adulto no qual tenham confiança. O castigo para uma criança é algo independente do prevaricador. É preciso é que o acontecimento errado ou negativo,  obtenha a devida condenação. Seja qual for a forma. A pessoa também é indiferente. É o ato que se castiga, não tem de ser a pessoa! Transferem então o ato de castigar para alguém mais apto a aprender a lição, mais capaz de “suportar” o castigo. Alguém que aprenda a lição pela criança, sem se zangar. Isto só pode ser feito com alguém de quem se gosta e em quem se tenha toda a confiança. E a criança aprende a lição, sem precisar de castigos! Inteligente não é?

A lição é esta: para uma criança ainda não contaminada por ideias “justiceiras” e “moralistas”, o ato errado é que precisa de castigo – para ser evitada a sua repetição no futuro. Não é quem comete o ato que deve ser condenado MAS O QUE FOI MAL FEITO, O QUE CORREU MAL. É por isso que quase todas as crianças apreciam que se “castigue” o sítio – dando umas palmadinhas, por exemplo, na esquina do móvel -, onde bateram acidentalmente com a cabeça…

Se os nossos pedagogos, moralistas e justiceiros, que enxameiam a sociedade, prestassem mais atenção às crianças e aprendessem mais com elas - em vez de persistirem em torná-las “civilizadas”, “educadas” e “competitivas” -, talvez o mundo estivesse mais funcional, mais justo, e, sobretudo, mais feliz.

Daniel D. Dias

domingo, 3 de maio de 2015

MERDRA!



Sinto que as pessoas desanimam, que se resignam a aceitar toda a espécie de comportamentos abusivos, desumanos, embora continuem a manifestar alguma revolta quando são ”abanados” por qualquer coisa expressiva dessa realidade. Muitas atribuem  esse estado de coisas à política, à má qualidade dos políticos, à (inevitabilidade) da corrupção, a desonestidade (intrínseca) do ser humano, à eventual decadência dos costumes, etc., etc.  Mas raramente vão além deste patamar.

Perdoem-me o desabafo mas é mesmo isto o que sinto:

As pessoas – a sua maioria pelo menos – estão sempre disponíveis para prestar toda a atenção a “fait divers” chocantes, para se indignarem com acidentes aparatosos, crianças ou animais ternurentos a ser mal tratados, denúncia de roubos, manifestações de violência doméstica, uso abusivo e descarado de bens públicos, atos de crueldade cometido por terroristas, comportamentos aberrantes, entre muitos outros. Quanto mais chocantes e brutais, maior a atenção dispensada. Até parece haver um certo gozo doentio na observação destes casos que submergem os “media” a toda o momento. Porém na prática não parecem assim tão sensíveis. Borrifam-se para  entender as origens – as causas - desses fenómenos. Não só não fazem o mais pequeno esforço para descobrir a génese dessas desgraças, como  se contentam  com as explicações simplórias que lhe são fornecidas por “especialistas” que as tratam como crianças pequenas.

Na prática as pessoas estão-se nas tintas para as causas dos problemas. É sabido que na génese da maioria dos problemas está a desigualdade de oportunidades à partida, os tratamentos discriminatórios que persistem, a educação insuficiente e desadequada, a falta de participação nas instituições públicas, a falta de organização ou a gestão deficiente. Colher informação séria (também a há disponível na internet) investigar a génese dos acontecimentos, interessar-se pela história – não por “histórias”-, avaliar criticamente o que se lê, talvez ajudasse a criar um público com massa crítica  suficiente para influenciar os acontecimentos negativos que nos assolam e eventualmente revertê-los… Conhecer é o primeiro passo para resolver qualquer problema – não é verdade? E talvez este comportamento ajudasse “a animar a malta”: Sem ânimo não chegamos a lado nenhum…

Mas a vida já é tão aborrecida, não é verdade? Porquê gastar o nosso tempinho a tentar perceber qual é a génese da corrupção ou da violência – doméstica ou de outra qualquer? Um artigo com mais de cinco linhas não e já um excesso?  Que adianta saber as razões porque elegemos políticos que sistematicamente nos desiludem? No final não vai ficar tudo na mesma?

É caso para dizer: MERDRA!
(Não digo MERDA para não ofender ninguém…)

Daniel D. Dias

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Da dificuldade em mudar de opinião



Espantam-se muitos com a aparente dificuldade que as pessoas manifestam em mudar de opinião – para corrigi-la eventualmente - face a repetidos resultados insatisfatórios. Não se apercebem que quase toda a gente, muito antes de aderir a uma ideia, já está modelado por ela, disponível para aderir ao seu conteúdo sem lhe obstar grandes exigências críticas. Porque é isto assim? Haverá outras razões  mas a principal  talvez seja, a comodidade, o conforto que proporciona sentir que nos identificamos com um determinado grupo que pensa de uma certa forma. Deste modo não corremos o risco de ficarmos a defender ideias sozinhos, por exemplo, a vociferar que o rei vai nu, arriscando a sermos tomados por  loucos.



Daniel D. Dias

domingo, 29 de março de 2015

Quem tem medo do lobo mau?



“Uma coligação de movimentos rebeldes e grupos próximos da Al-Qaeda conquistou a cidade de Idlib, no nordeste da Síria. É a segunda capital de província que o regime perde desde o início do conflito, há quatro anos”, noticia hoje a Euronews com mal disfarçado regozijo. Afinal a estratégia do Prémio Nobel da Paz, Obama, está a resultar: O inimigo principal, o malvado oftalmologista laico Assad, continua a ser perseguido para ver se tem um fim parecido com o de Kadaffi, outro malvado. O pretexto já não são armas químicas. Agora é o “estado Islâmico”, concorrente da Al-Qaeda,  que anda a dar muito nas vistas com as suas carnificinas mediáticas.

São estes os “rebeldes moderados”, que os EUA, EU e seus aliados apoiam sem reservas, com armas, munições, bombardeamentos, cobertura mediática e dinheiro. Afinal a Al-Qaeda nem é assim tão má! Se o fosse não estaria a ser apoiada em vários países, designadamente na Síria e na Líbia onde até decorrem negociações para um “governo de unidade”. No Yemen, onde a “Primavera Árabe” não está a correr a contento da Arábia Saudita, este indefectível aliado dos EUA não hesitou em invadir esse país, começando por bombardear massivamente as populações, como é tradicional, apoiando e apoiando-se em milícias da Al-Qaeda que no terreno combatem a rebelião Houthi.  A manifesta ilegalidade desta ação está agora a ser colmatada com um apoio arrancado à pressão na sempre prestável “Liga Árabe”. Entretanto, a chamada “comunidade internacional”, os EUA, a EU, os infatigáveis militantes anti terroristas, Obama, Cameron, Hollande, refugiam-se numa estranha neutralidade colaborante e vão alimentando a opinião pública com a amplas cerimónias de fervor anti terrorista…  Não faz tudo isto lembrar a história dos três porquinhos e do lobo-mau? Afinal, quem tem medo lobo mau, ou seja, quem leva a sério o terrorismo?



Daniel D. Dias

segunda-feira, 16 de março de 2015

Brasil



A América Latina foi até há pouco o “pátio traseiro” dos EUA*, onde tudo parecia estar ao serviço e sob controlo desta superpotência. Mas as coisas começaram a mudar nas últimas décadas: Uma nova consciência das pessoas e uma geração de líderes reformadores vieram tornar possível colocar os enormes recursos desta região ao serviço dos seus povos e não apenas ao serviço de classes muito reduzidas, como sempre aconteceu. Pode apontar-se que esta ação tem sido desenvolvida, em alguns casos, com alguma inépcia e noutros, de forma pouco clara. Ainda assim é inegável que as enormes desigualdades existentes diminuíram e que os resultados positivos em termos sociais são bem concretos: a fome, a doença, o analfabetismo e a miséria extrema, têm sido - pela primeira vez em 500 anos -, consistentemente combatidos.

Esta realidade configura um pecado mortal, uma ousadia jamais admitida, que os EUA e seus aliados sempre rejeitaram sem contemplações. É daqui que decorrem as sucessivas campanhas orientadas contra vários países da região – Argentina, Venezuela, Brasil, entre outros. As versões que os “media” espalham pelo mundo - é sabido que os EUA dominam os “media” mundiais – são parciais, preconceituosas, pseudo moralistas e destorcem os factos. Tem sido a forma habitual para preparar o terreno para ações mais musculadas – revoluções coloridas, primaveras árabes, etc. - como as que temos vindo a assistir no Médio Oriente, no Norte de África, nas vizinhanças da Rússia e da China.

As manifestações de ontem no Brasil fazem parte destas campanhas que em muitos aspetos lembram o Chile dos tempos de Allende antes do golpe de Pinochet. Havia por lá muita gente, nutrida e bem parecida, a bater tachos e até a reclamar o regresso da ditadura militar…

O vídeo que se segue ajuda a perceber de forma simples e bastante detalhe o que está agora em causa no Brasil.

https://www.facebook.com/l.php?u=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DnOaff79Tpqg%26feature%3Dyoutu.be&h=EAQFNF9G3
Texto original em inglês
http://journal-neo.org/2014/11/18/brics-brazil-president-next-washington-target/

Daniel D. Dias


*“Há uma resistência muito significativa contra o assalto neoliberal. A mais importante verifica-se na América do Sul, é espectacular. Durante 500 anos, a América do Sul sofreu a dominação das potencias imperiais ocidentais, a última das quais os EUA. Mas nos últimos 10 ou 15 anos começou a romper com isso. Isto tem muita relevância. A América Latina foi um dos sócios mais leais dos consensos de Washington, das políticas oficiais.”
Noam Chomsky, in entrevista de Miguel Mora “Syriza y Podemos son la reacción al asalto neoliberal que aplasta a la periferia”, de 8 de fevereiro de 2015

http://ctxt.es/es/20150205/politica/286/%E2%80%9CSyriza-y-Podemos-son-la-reacci%C3%B3n-al-asalto-neoliberal-que-aplasta-a-la-periferia%E2%80%9D-Internacional.htm